Descendente das marias do nordeste, mulheres de luta e de força, assim nasceu Maria de Lourdes Alves Leite em Macaíba, interior do Rio Grande do Norte. A filha mais velha de 15 filhos, de mãe doméstica e pai autônomo. Ajudou a criar os irmãos, sem tirar o olho de uma grande paixão: os livros.

Quando os pais perceberam o mundo que cabia nos olhos de Lourdes, mudaram-se para Natal. Onde ela conheceu seu marido e companheiro, Felipe. Com ele, Maria construiu sua história de vida como profissional, esposa e mãe de quatro filhos. Essa história ela mesma irá contar pra vocês.

Conte-nos sobre os seus pais.

ML- Meu pai só sabia assinar o nome para votar, antigamente parece que votar era mais interessante do que hoje, no dia da eleição tinha que ter roupa e sapatos novos. Com 19 anos se apaixonou pela minha mãe, que estava com 22 anos. Casaram-se logo e tiveram 15 filhos, eu sou a primeira deles. É uma responsabilidade muito grande, ajudei a criar meus irmãos. Na última gravidez da minha mãe, ela ficou grávida quando eu também fiquei do meu primeiro filho, ela ficou tão envergonhada que não usou roupa de gestante (risos).

Quando você percebeu o amor pelos livros?

ML-Sempre fui aficionada em livros. Com cinco anos, eu sabia a carta do ABC, antigamente tinha, você não sabe o que é isso (risos). Aos seis anos sabia da tabuada e participava de discussões no colégio. Eu sempre estudei em escola pública, mas o segundo grau foi na escola particular Sete de Setembro. O governo do estado ofereceu bolsa de estudo, concorri e ganhei.

Do ensino médio ao curso de Direito, quais foram as dificuldades?

ML- Na época, a moda era estudar economia para trabalhar na Sudene depois. Porém, estimulada pelo meu namorado na época, e hoje marido, fui me preparar para fazer o vestibular para Direito. Trabalhava durante o dia e estudava à noite. Então, veio o casamento e resolvi parar de estudar, pois não me sentia preparada para o vestibular, isso foi em 1966.

Só que no final desse ano, deu uma vontade de estudar feroz e já estava grávida. Voltei a estudar e estudava muito, ia dormir às três horas da madrugada. Estava tão inchada por causa da gravidez que não conseguia nem me levantar direito, meu marido é que me levantava e me deitava. Não conseguia nem subir as escadas do lugar onde eu fazia o curso preparatório, tanto que o professor levou a turma pra ter aulas na minha casa. Da minha turma de estudo, somente eu e mais dois colegas passamos.

Dos bancos da universidade até a carreira jurídica, foram 33 anos dedicados ao judiciário, destes 15 como desembargadora. O universo do judiciário é muito masculino, você teve alguma dificuldade por ser mulher?

ML- Na minha história tiveram dois fatos marcantes, um foi quando, em 1974,  teve um concurso aqui em Natal para juiz de direito e eu e mais uma amiga passamos, mas só foram convocados os homens. Bem como, em 1980, no estado de Pernambuco, estava fazendo o mestrado e resolvi, junto com outras mestrandas, prestar concurso na nossa área. Todas nós tivemos nossas inscrições indeferidas.

Atualmente, Maria está aposentada e para ela, aposentadoria não é sinônimo de ficar parada. Agora se dedica a antiga paixão, os livros. Ela já escreveu  dois livros, o primeiro intitulado Quarenta e Quatro Quadras que se Enquadram em Quadrantes de Quadras, o segundo Meus Acrósticos, e tem mais dois de poesia sendo encaminhados. Ela é um exemplo de que a vida é movimento e que  a gente deve ir para onde o vento aponta e o coração diz sim. 

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