Depois do meu período de férias, peço desculpa por voltar a falar com vocês sobre um assunto tão triste. Tinha me prometido reservar esse espaço somente sobre assuntos brandos e divertidos porque a vida já está puxada né? Desemprego em alta, política caos, economia louca e mundo cão.  Mas hoje não vou conseguir falar de estilo, nem de saúde, nem mesmo da dança, minha paixão. Tentei deixar esse assunto pra lá, mas ele está martelando na minha cabeça há três dias, la loba está falando comigo, ela não me deixa em paz. Minhas ancestrais tão aqui soprando no meu ouvido e não posso me calar. . . sim é sobre a moça que estava no ônibus e levou uma ejaculada no pescoço.

Vocês já viram e ouviram no noticiário, dia e noite. Mas vou repetir aqui, porque não canso de me indignar. Só quem é mulher, somente, sabe o que é ter a dignidade vilipendiada. Todos os dias somos assediadas, seja no trabalho , no ônibus, no caminho de casa, sem falar nos colos dos tios maliciosos quando somos crianças. Irmãs, vamos dar as mãos, vamos dar um fim nessa história. Homens, venham com a gente.

Seu juiz, José Eugênio do Amaral Souza Neto, por favor mais coerência, se o senhor não tem filhas ou netas, o senhor foi parido por uma de nós, nos respeite, eu exijo. Quando o senhor achar, com sua cabeça impregnada de machismo, tão doente quanto a do ejaculador, que não há constrangimento, nem violência,  pergunte a uma mulher o que ela pensa, nesse caso, a irmã que foi prejudicada, embora o senhor tenha a escutado e achado que “não houve constrangimento”#vergonha.

Hoje é o dia e agora é hora. Não vou incitar a violência aqui, porque essa não sou eu, mas esse é um chamamento a todas as irmãs. Vamos andar com apitos no bolsos, igual as irmãs de Recife, e apitemos bem alto e forte para o Brasil e o mundo saber, não admitiremos mais, e não me venha com essa de estava de saia curta, decote , estava pelada, estávamos do jeito que achamos que devemos e ponto, e não é por isso que qualquer um vai ter o direito de ejacular no nosso pescoço, seja no ônibus ou na justiça.

Para finalizar, vou escrever o trecho de um texto que uma irmã me enviou essa semana, vou pedir licença poética a autora Rose Kareemi Poncen para colocar no plural: “Somos filhas de Maria de Madalena, de Joana, a D´arc, temos em nossas veias sangue das ancestrais guerreiras, em cada célula temos a informação da luta . . . somos mulheres livres que carrega na pele a marca das que foram enjauladas e tiveram seus gritos calados . . .”.  Já posso ouvir os apitos?

Destaques

Estilo é ser você

Crédito: Tiago LimaCrédito: Tiago LimaAcompanhar a moda é difícil, toda hora recebemos informações sobre novidades e o que se deve usar ou deixar de usar, dá uma canseira danada. Mas, pode ser que mesmo você consiga acompanhar o mundo frenético fashion, ainda não alcance o resultado desejado, ter seu próprio estilo. Vamos falar sobre isso agora?!

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Quem dança seus males espanta

Apresentação no Teatro de Cultura PopularApresentação no Teatro de Cultura Popular

Ainda lembro o dia que entrei na sala do estúdio que eu frequento. Era a primeira aula de tribal, uma fusão de dança do ventre com outros estilos, e quando a professora ia pra um lado, eu ia para o outro. Envergonhada, fiquei lá traz desejando ser invisível, embora não escapasse dos olhos atentos da professora. O meu corpo não acompanhava o raciocínio do movimento e eu pensava, estou com 39 anos isso não vai dar certo.

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